Você foi meu sol

Você foi meu sol. É clichê dizer que você trazia luz aos meus dias, mas ainda assim digo. Eu era como aquela casa velha que as crianças da vizinhança evitam passar e por isso desviam o caminho. Nem eu mesmo gostaria de morar em mim. Os móveis eram antigos, como lembranças passadas que se desgastam e você nem consegue mais revitaliza-las, mas ainda assim escolhe mantê-las por perto.

Sentia-me como um país nórdico; em tempos, não há dia, em outros, pouca noite. Quando a penumbra voltava, era difícil ficar sã. Não sei se minhas metáforas foram claras: nunca um equilíbrio de emoções. Nem sabia o que era isso. Você foi a primeira pessoa que deixou-se viver no meu desgaste e resistiu, escolheu não cedeu à minha escuridão. Em vez, passou a clarear.

E deixe-me continuar com meu clichê: você foi um tremendo de um sol. Pouco se escondia entre as nuvens ao redor. Só que elas começaram a ficar carregadas demais, né? Acho que mais por minha culpa que sua. Você foi embora e levou sua luz junto, mas minhas janelas foram iluminadas o suficiente para eu aprender a ser meu próprio sol.

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