Vamos atacar o Atacama

​De um hotel quatro-cinco-sei lá quantas- estrelas em Santiago, fui parar em um hostel empoeirado em San Pedro do Atacama. Fui parar no destino que mais estava ansiosa para conhecer, com grandes expectativas de me apaixonar - e passar por alguns perrengues. Fui parar naquela macha marrom do planeta, um dos melhores lugares do mundo.


Apaixonar não demorou muito. Do Aeroporto de Calama à cidade mais próxima ao deserto do Atacama, a paisagem árida dava um spoiler de tudo que viria nos dias seguintes. San Pedro do Atacama era única, uma daquelas cidades que você pensa “é, eu moraria aqui e viveria de artesanato”.

Em vez de tentar adivinhar formas nas nuvens, a graça era reconhecer bichos ou rostos na textura das pedras gigantes pelo caminho dos passeios. Aliás, eram sempre em vans confortáveis e com ar condicionado. Era um deserto meio gourmet, talvez, e a culpa é do turismo que cresce cada temporada mais naquela região. Ainda assim, era uma aventura daquelas.


No Vale de lá Luna, era 2 em 1: de um lado da janela, uma paisagem com dunas intactas, do outro, rochas imponentes totalmente em contraste à cena vizinha. Nesse vale, achei que iria morrer aos 21 anos sem nem ter tido um emprego CLT. Por que? O guia turístico pensou que estivesse atletas experientes em escalada. Escalamos uma montanha e ficamos a cerca de 2.600 metros de altura. Sem proteção. Com pedras escorregadias. O pôr do sol valeu a pena.


Em São Paulo, sempre pensei que poderia virar pesco-vegetariana, só faltava a força de vontade. No povoado de Machuca, experimentei um espetinho de lhama e descobri que, além de serem animais fofos que dão ótimos desenhos, elas são deliciosas. Lá se vai meu pescetarianismo, porque se puder volto lá para comer de novo. Eu sei... é horrível se entregar aos prazeres da carne.


Atacama é um daqueles lugares que você ataca e quer atacar de novo. Voltar eu sei que vou, mas na próxima, já emendo o Salar de Uyuni (e quem sabe mais a América Latina inteira).

Observação:
Toda vez em que tento escrever Chile, sai errado e o corretor automático do celular muda para chulé. Mas a única semelhança com o país e o cheiro ruim dos pés, é que os dois impregnam na cabeça.

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