Eu nunca quis dizer adeus

21:55


Te disse o primeiro oi há tempos, mas ainda me lembro do Ray-Ban preto wayfarer - todo mundo possuía um na época - que usava para esconder o inchaço dos teus olhos. Hoje tu reclama de coisas que são modinha e eu rio, porque percebo que assisti às tuas mudanças a uma distância segura o suficiente para dizer que te conheço, mas não te entendo. Naquele dia de tristeza alheia que te vi e senti meu coração de adolescente derreter, não imaginei que em outro dia, após anos, tu é que seria o motivo da minha chateação. 

Sempre odiei sua pouca habilidade em se comunicar. Ainda odeio por não se sentir confortável para dizer que comeu uma cebola estragada no almoço, ou para soltar o nome da menina que já te deu um fora. Tu me irrita e sabe disso. Irrita porque não é incapaz de demonstrar sentimento algum e perde momentos bons por isso. Mas irrita mais ainda porque não percebe o quanto gosto de ti e o que já fiz pra que déssemos certo.

Quando digo certo, incluo nossas pirraças e diferenças. Não me importo em ouvir aquelas bandas de reggae com vocalistas rastafári, contudo que seja contigo que eu divida o fone de ouvido. Apesar de suportar e sentir falta de tuas manias, sei que teu desapego nunca vai dar match com meu apego. 

Já digitei um adeus e deletei, porque tu sabe que, como da primeira vez, eu nunca quis dizer adeus. Na verdade, só quis que tu dissesse fica. Talvez seja verdade o que dizem sobre algumas coisas nunca mudarem.

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1 comentários

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