Não precisa rimar

21:23


Tu é surfista sem mar. Eu, sonhadora sem sono. Procurar algo em comum entre nós é como procurar um quarteirão sem lixo no centro velho de São Paulo. A não ser pelo tom de mel que ambos trazemos na cabeça, tu e eu nascemos às dessemelhanças.

Não rimamos nem no tipo mais imperfeito. Em tanto, mudamos do acarajé ao caviar e tua peça do quebra-cabeça não mais encaixou na minha. Sem que percebêssemos, os curtos papos foram tomadas por vazios e lembranças gostosas de anos atrás. Não nego, somos eternos perdidos em tempos passados.

Em vão, acumulei um medo bobo do segundo-primeiro beijo. Teu modo de pousar a mão com delicadeza sobre minha cintura não havia mudado. Tu tinha a mania de me encarar em silêncio -não de propósito, mas porque tinha receio do que poderia falar-, que somou à minha tagarelice sem pensar.

Não precisa rimar. Mas me complete, do jeito que for, por favor.

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