Meu milho

22:15


Dez minutos para chegar ao metrô. Só restavam-me cinco. Cada passo ao longo da rua fazia com que minha barriga roncasse mais alto. Já estava há, sei lá, umas 20 horas sem comer. Não porque entrei numa dieta doida em qualquer site feminino, mas porque, durante aquele tempo, alguma parte do meu cérebro se esqueceu da lei da sobrevivência.

Já no primeiro farol, me me dei conta de que poderia comer todas as franquias do Burger King. Geralmente, comeria apenas uma. Ou duas. Ignorei o cronometro mental rodando enquanto andava até a estação da linha amarela. Pela primeira vez, não me preocuparia com cada minuto atrasado.

Na próxima esquina, um senhor de pele morena judiada pelo sol manobrava um facão sobre alguns milhos. Calculei o tempo que gastaria para acabar com um potinho de R$ 5. Era válido, afinal, pensar em meu estômago e seu ronco estrondoso. 

- Com manteiga, por favor - disse a ele.

Paguei com gosto o preço pela comida e o mico de devorar meu milho em pé por centenas de pessoas que passavam bem ao lado.

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