O cara de novembro

21:06



Eu amo aquele cara de novembro. Ele vivia com um sorriso bobo e envergonhado. Deixava o cabelo bagunçado para parecer meio rebelde e desapegado, mas era, na verdade, mais doce que o pudim de leite na geladeira lá de casa. Gosto de seu jeito desajeitado, mas não tímido. Era quieto na primeira, parecia antipático na segunda, mas, na terceira, já te chamava pelo apelido.

Nunca encontrei um abraço melhor que o dele. Talvez, porque seus braços eram mais longos e, assim, mais acolhedores. Ou, porque seu corpo tinha a temperatura certa para aquecer outro. Eram mais apertados no começo, os abraços. Afrouxaram-se, e o frio tomou conta deste gesto. 

Depois daquele mês, o sentimento foi embora, como um pássaro assustado. Pode ter se escondido embaixo de algumas camadas de segurança criadas pelo meu inconsciente. Não me lembro das palavras bonitas ditas por ele e não esqueço as feias. Ainda amo aquele cara de novembro. Em dezembro, foi-se. 

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