Descobri a casa da minha avó

21:06


Estar em Portugal era exótico. Não pelo fado e homens de bigode, mas pelo bacalhau que, em minha vida, sempre fora atum. O patê de minha mãe era delicioso, elogiado, mas após o décimo oitavo ano, já precisava de um ingrediente a mais. Quem sabe uma salsinha. Não queria a patroa a pensar que já não gostava mais de sua comida, então deixei minha sugestão para lá.

Segundo mês de "ora, pois" e ainda nada do famoso peixe. Bastou a colega de quarto mencionar o restaurante barato "museu d'avó" e já estava com meus cinco euros na mão. A rua era a mesma do bar 77, conhecido pela mini Super Bock por 50 cêntimos. Eu já conhecia a rua de cor, o caminho mais fácil para a estação de metro (isso, sem acento) Trindade, a principal.

Ao entrar, ambiente escuro e panelas com outros utensílios domésticos na parede, além do cheiro de sofá de cinquenta anos. Por um segundo, esqueci o que fazia ali e me senti na casa da avó que não entrava há anos. Por um breve momento, o cigarro aceso da garota ao lado me distraiu. Pensei na lei antifumo e nas baladas de lá com tanta fumaça que assusta.

Poderia ter refletido naquilo, na descoberta do Brasil, nos problemas de um país de primeiro mundo, os quais não enfrento em um de terceiro. Não. Escolhi desfrutar das velas na mesa e a música ao fundo. O cigarro era invisível. O restaurante, que poderia ser da minha ou da sua avó, me conquistou por todos os sentidos, menos o paladar. 

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