Saudade, mas de que?

20:10


Sempre soube que sentiria saudade. Das amizades mais improváveis que cinco meses trariam. Do pôr do sol às 21 horas que desregula meu horário de janta. Da dor de barriga que a francesinha me dá. De reclamar por acordar às 7h40 para ter que aprender espanhol (Grácias, Marta). De nunca saber as respostas das perguntas sobre ficção científica e astronomia de inglês (Thank you, Mark). De ter apenas quatro cadeiras e ainda assim me sentir sem tempo. De planejar viagens e desistir, porque não acabou só na Adega como o esperado. De correr de madruga de baixo de chuva, porque, bom, o Porto é assim, mas acordar e poder ir pra praia com um sol de rachar. De ter a chance de explicar para várias pessoas que não, não sou muito branca para ser brasileira. Do vento de Matosinhos. Do quarto e seu lustre de papel da Ikea. De pensar em euro. De sentir raiva do sotaque superirritante português. De ir numa coffee house para estudar e só tomar um chá. De fazer vlog de madrugada. De ir no Mrs Pizza só porque é dois euros, mas se arrepender pela grosseria dos atendentes toda vez. De ir de segunda-feira na Ribeira com três casacos e parecer um zumbi na aula do dia seguinte. De preferir o Mackenzie a Universidade do Porto. De falar que sou de Fiji. De me atrasar para tudo. De parar na esquina para esperar a amiga chegar. De tirar foto de gente chata na balada. De sentir saudade do que aqui um mês e meio não será mais saudade. 

Você também poderá gostar

0 comentários