É minha mãe

17:02

Cabelo loiro embrulhado em uma piranha no topo da cabeça. Cachos que sempre almejei. Seu poder é de alegrar quem quisesse, mas ela mesma não sabe. Deu a luz pela primeira vez com dezesseis e não parou de brilhar ao lado das três meninas que teve, uma de cada vez. Ela sabe como as três podem ser difíceis, uma, teimosa, a segunda, nervosa e, a última, mimada. Nunca se arrependeu, não por uma faculdade que não começou, uma casa que não comprou ou uma viagem que não fez.

No caminho, pedras maiores que o esperado. Seu coração se quebrou algumas vezes e um tumor apareceu na mama. Ganhou cicatrizes e perdeu o coque tradicional. Estava diferente de todos os outros anos, continuava linda, mas parecia ter esgotado o estoque do Popeye. Era a pessoa mais forte que vira na vida. Agora, já não a vejo há três meses, mas a sinto a cada fruta estragada comprada, arroz grudado debaixo da panela e gripe sem consolo. 

Posso ter sido a última, dois ou sete anos a menos com ela, mas em cada segundo dos dezenove que tive, a amei. Encrencou com as amigas, com o namorado novo e com a balada. Me levou à escola, ao hospital e à balada. O cabelo continua com os cachos, menores agora, e a alegria vem da tela do Skype.

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