Mãe, tô no Marrocos!

19:16


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Não era sonho. Era uma curiosidade de intercambista. Brasileiro vai pra Europa e passa em Marrocos. Pacote 95, passagens 160 (sim, caro), animação a mil. Tudo que passava pela minha cabeça era deserto, areia e camelos. As fotos que me inspiravam não saía disso, então minha expectativa também não foi parar em outro lugar. Ao chegar em Marrakesh, percebi que não era tudo sobre o Saara e uma aventura de estudante. Todas as construções tinham cor de barro, realmente. E foi assim em todas as cidades pequenas pelas quais passamos. É um padrão que até assusta. Como disse uma amiga, parece que não há outra opção de tinta. Motos por todos os lados, mas não Harley ou BMW, mais como a bicicleta motorizada do meu vizinho em Pirituba. Pessoas com caras de mau humor por todos os lados e homens te encarando por ser diferente. As ruas todas estreitas e vendinhas lembravam uma favela, era o que diziam meus colegas, mas estava longe disso, aquilo era a cidade em si, ou pelo menos a parte antiga dela. Ao andar de van, víamos poucos hotéis com piscinas de luxo que não eram pro nosso bico. Tudo era diferente.

Aprendi mais que três livros de história do Objetivo. Parei de achar que a Europa era um grande choque cultural. Um caos de trânsito e veículos passando a um milímetro da minha perna. Árabes tocando flauta e cobras esticando o corpo para cima. Mas não se atreva tirar uma foto sem pagar ou sem pedir, eles não gostam. Nosso organizador da viagem nos decepcionou, mas não vem ao caso. Nem o fato de que no hostel o banheiro tinha um ralo entupido e era para oito meninas.


Chegou a hora do deserto. No caminho, várias paradas para fotos turísticas em lugares como o cenário real do filme Gladiador. Entramos na casa de um berbere, que, a propósito, não tem eletricidade (ou seja, descarga), bebemos chá e nos fantasiamos de vikings. Ficar de uma blusa de manga curta foi uma vitória. O sol parecia sol pela primeira vez desde fevereiro. A paisagem da janela me levava ao Madagascar 2. Milhares de coqueiros em um minuto, cinco depois, montanhas de pedras, e mais a frente, muita areia e algumas casinhas perdidas. Era a África. Parecia filme poder chegar tão longe. Paramos para comprar lenços. O casal de franceses, que aparentemente não fala nenhuma outra língua, parou para tirar uma selfie enquanto quatro pessoas locais passavam. Tenho certeza que não possuem instagram ou cantam "but first let me...", porque, ao ver o celular, uma mulher que cobria os cabelos jogou uma pedra em direção ao grupo. Nada de machucados, apenas um trauma de fotos frontais para o casal.

O camelo, Marmud, apelidado por mim de Ramuna, era um charme e sua mantinha, que não me livrou de assaduras, era bem trendy. Até esse momento, segurar meu intestino e sempre fazer xixi sem papel higiênico eram as piores partes. Já estava escurecendo no caminho para as tendas, graças ao nosso atraso. O pôr do sol foi lindo e demorado. As chacoalhadas de Ramuna não conseguiram me impedir de filosofar ao ver o horizonte mágico. É sério que já fiquei chateada por garotos que gostam de ir ao eskada? Com um mundo tão imenso e maravilhoso? Todas as chateações se tornaram minúsculas. Era um sonho.

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