Batidas, fotos, mais fotos e um gelo

17:30


Dançava. Sentia cutucada. Parava. Fotografava o grupo bagunçado. Uma amiga cansada dos passeios no deserto marroquino e eu em seu lugar. Tão fácil quando a encontrava nas festas e pedia uma foto, preocupada com gordura do braço sem dar conta de tantos querendo o mesmo. Mais da metade esquecerá o flash na cara e não verá o registro feito na noitada. Alguns procurarão todos os dias ao longo da semana em busca de uma atualização no instagram.

Festa da Breiner no mesmo dia. Vinte e cinco euros pareciam valer a pena. Tinha a vantagem de deixar os casacos na área VIP. Me iludi, achei que voltaria menos defumada. Vigésima foto e reparei num homem sentado na beira da poltrona fumando um cigarro que parecia não ter fim. Que decepção, Portugal, país europeu sem lei antifumo para lugares fechados. Não por estar preocupada com a saúde, sou fixe como meus colegas, mas estender a roupa na chuva de sempre do dia seguinte é uma tarefa desfavorável. 

Estou longe de ser boa nisso, tipo distância São Paulo-Marrakesh. Falta de foco, cabeças cortadas, pessoas fantasmas e flagras de caretas para todo o lado. Cerrava os olhos em frequência na tentativa de me desviar das luzes verde e azul e encontrar um ângulo. Me diverti. Fotografei nas batidas, cantarolei ao olhar através do viewfinder. Perdi a câmera na insistência de um garoto eufórico que me rodou e rodou até o pensamento do almoço vir à tona. Meu pedido da música Táxi foi aceito e solicitação aleatória de amizade no facebook recebida. 

Senti um gelado por dentro da minha blusa e notei um rapaz me encarando. Foi o pior gelo que recebi, porque foi literal. Perdi a vontade de continuar, muito menos apertar aquele botão. Uma opressão que parece tão pequena, mas que carrega o mesmo peso, mesma raiva e angústia. A infelicidade desse ato não apagou todos os sorrisos que recebi. Cinquenta fotos depois, ignorei, pelo menos tentei, e descansei para a festa do dia seguinte. 

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