Cidade que nunca seca

17:44


Janela aberta ao meio-dia e sensação de anoitecer ao fundo do quarto. Antigamente alvo de muita escolha errada pela manhã, o aplicativo de previsão do tempo, surpreendentemente, funciona nessa cidade. O desenho de nuvem carregada até sexta que vem aparece como um aviso para as roupas no varal. De 40 a 100, a porcentagem de precipitação não importa, o guarda-chuva meio quebrado vai ter a chance de ganhar mais estragos. 

Pelo menos três vezes durante o trajeto, o braço é colocado para fora na esperança de ter diminuído. Não diminui. O som quase imperceptível é o culpado pela jaqueta molhada. As gotas te pegam de lá e de cá e a missão é encontrar a direção na qual vêm e segurar firme o guarda-chuva contra. Já se sabe que as roupas não poderão ser repetidas nos próximos dias.

Início de primavera soa como uma piada do Sérgio Mallandro. Meia molhada e nariz escorrendo é a forma de me sentir próxima da garoa que deixei há dois meses. A cidade chuvosa não leva embora minha preguiça, mas a cada pingo, menos quero deixá-la.

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