Um dia de neve na Serra da Estrela

21:05


O algodão que imaginava não era bem algodão. Todo mundo sonha em ver neve. Hollywood fez questão disso. Depois de assistir filmes e filmes de natal, me perguntando como seria, finalmente, conheci. Não como imaginei, numa montanha gingantesca cheia de esportistas radicais e um chalézinho ao lado. Foi melhor. Na minha primeira semana sozinha em outro país, vivi algo que só poderia ser assim, longe mesmo. Esqueci a saudade por um momento enquanto lidava com o fato de ter água na roupa íntima.



O cheiro que predominava nos centros comerciais era de peixe estragado. As lembrancinhas eram se repetiam nos solos e subsolos. Os chãos molhados por toda a parte embrulhava seu estômago na imensa fila ao banheiro. Mas, deu certo. O céu se abriu, nosso Olaf ganhou forma e minha alergia a coisas de geladas não foi tão ruim assim. Você não vê um homem de shorts nesse frio congelante todos os dias.


Ainda não descobri se todas as lágrimas foram do vento insuportável que os fez lacrimejarem ou da felicidade de se sentir quase uma Elsa. Livre, estava, a única diferença é que o frio incomoda sim. Apesar dos pesares, não trocaria esse dia por nenhum outro. Amei cada pedra de gelo penetrando o tecido da minha luva e deixando minha mão um pimentão. Eu queria brincar na neve e brinquei.


A Serra da Estrela fica a umas três horas do Porto. Pagamos 22 euros no transporte ida e volta e levamos lanchinhos, assim não gastaríamos muito lá. Apesar das pantufas de 5 euros parecerem super confortáveis, ser estudante em intercâmbio significa passar vontade com coisas fofas à venda.

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