É hora de dar tchau

20:36


A viagem está ali. Já estou pensando em sentar na mala para fechá-la de vez. O momento de guardar a escova de dente e a base. Não estou surtando. Penso ter algo errado. Meu tom de voz está na medida considerada normal. Meu batimento cardíaco também. Sinto-me pronta para dormir umas oito horas, se não fosse o calor insuportável de São Paulo. Ainda bem que me livrarei dele no dia seguinte. Algo parecia errado.

Não entendo por que não estou criando os próximos seis meses na minha cabeça. Talvez só faça isso quando não há chance de realmente acontecer. Mas pode. Agora não preciso imaginar. Vou esperar. Isso me previne das decepções. As expectativas não ficam tão inflamadas se não as programo com antecedência. 

O medo é um fator a ser levado em consideração. Não voltamos aos pensamentos quando nos trazem um certo temor do futuro. Saudade. Eu ainda não sinto esse sentimento, mas posso reconhecê-la chegar aos poucos, dando um aviso prévio. É como se cutucasse e falasse: ei, semana que vem chego e fico. Ignoro a mensagem e torço para que atrase a acontecer. Alguns tchaus já foram, outros virão. Mas coloco minha cabeça no lugar mais longe deles o possível. 

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