De uma exploração a outra

20:00


O que estava no fundo continua. 3/4 da mala está no mesmo lugar. Há cinco dias saí do Brasil pela primeira vez. A diferença do fuso horário, a falta de saber o que vestir no clima, a enrolação na língua para pedir informação. Tudo tão incrivelmente novo. Descobertas a cada esquina. Estacionamento em Portugal é parque. Calçada é passeio. Metrô não tem acento, como a unidade de medida. Chopp é fino e o hambúrguer pode ser servido no prato. Pronto, é como acabam a conversa.

Já vou embora. Mas volto. Antes de completar uma semana que fui. Há, agora, a Espanha para desbravar. Tão perto, mas tão distante em cultura. Não vejo a hora de aprender a pedir um suco lá. Aqui seria sumo, palavra engraçada. Lembro-me sempre do esporte. Espero ter mais opções de naturais, além do de Laranja, única alternativa nessas bandas. Já planejo ir deitar, sei que a viagem de ônibus será cansativa. Dez horas a olhar pela janela.

Tenho impressão que de lá irei para casa. Esqueço-me onde é. Penso na granja onde comprava frango assado nos domingos preguiçosos de minha mãe. No mercadinho, lugar de trocar as coca-colas retornável. Relembro que não fazem mais parte da minha realidade. Não vou mais para lá. Pelo menos não agora. O coração acelera tímido, quase despercebido. Mais seis meses de descobertas são tentadores. Assombrosos também. 

Afasto a saudade e volto a analisar a mala. Procuro uma alternativa para fazer caber de volta aquele 1/4 espalhado pelo quarto do hotel.

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