Mais nove dias

18:32


Não está tão perto a ponto de surtar, mas está próximo o suficiente para pensar sobre os detalhes a cada dez minutos. É a hora que você percebe ter pouco tempo para arrumar o restante, ou seja, quase tudo. Ainda não havia pensado sobre aquela bolsa que ganhei faz uns anos, que gosto, mas não uso sempre. Acho que não levo então. Lembro daquele vestido de verão, provavelmente não usarei pelos próximos dois meses, sinto um aperto da possibilidade de deixá-lo e desisto de pensar sobre a viagem pelos próximos dez minutos. Isso se repete mais algumas vezes, num ciclo de ansiedade e preocupação.

O visto só pode chegar até sexta, ou segunda, com muito aperto. Tenho fé que virá. Mas talvez precise ir ao correio, caso o carteiro já tenha passado. Não quero. Quero que as complicações dessa viagem se simplifiquem. Quero que, quem sabe, o Santander financie a passagem e despesas de todos os entes queridos que ficarão. Quero uma mala pronta, sem aquela sensação de estar esquecendo algo que, geralmente, é um alerta a ser levado a sério. Quero piscar o olho e estar observando o céu lá de cima, como se fizesse parte dele. Quero um documento assinado pelas pessoas que amo me certificando que voltarei e estarão ali onde deixei, sem terem esquecido se quer uma fração de mim.

Nove dias para não acordar mais todos os dias na minha cama. Não fazer parte do cenário que pertenço desde os treze. Nove dias para o vinho e o peixe fazerem parte da rotina. Só mais nove. Dias. Há alguns atrás, não acreditava que os estaria contando para ir embora. 

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