Os últimos pensamentos do ano

14:18


Fechei os olhos e segurei por cerca de quatro segundos. Não conseguia acreditar que já havia se passado 364 dias e meio. Todos os itens da lista feita há exatamente um ano foi esquecida. Tentava olhar para o tempo, mas um branco tomava conta. As promessas já não faziam o mesmo sentido. O sentimento de 31 de dezembro de 2015 estava fresco, a esperança de mudança e o otimismo cego. Será que valia a pena pegar uma folha e caneta para planejar coisas que provavelmente sairão do nosso controle? Estava claro que as metas se perdiam em algum momento nos meses seguintes. Agora, olhando para aquele pedaço de papel, vi uma autora diferente. Tentei ditar o que aconteceria e acabei numa rota desconhecida. 

O que estava escrito não decidiu o curso dos acontecimentos. Nem nunca irá. Eles tem vontade própria. Vão aparecer não importa se estiver pronta, esperando, de penteado no cabelo e unha feita, ou adiando, de pijama e chinelo de dedo. Você será atropelada pelo universo, querendo ou não. Sua vida não é o clima de uma cidade e não pode ser previsto pela equipe de meteorologia. Se estiver chovendo na sua horta, aproveita, você não sabe até quando a fase irá durar. Amanhã algo mágico poderá acontecer, assim como algo terrível, que, com certeza, não estava na sua lista. Prepare-se para as surpresas, elas estão sempre por aí.

Não faça algo pelo simples fato de ter colocado por extenso no seu caderno. É bom ele estar ali, pra te lembrar o que queria fazer e o que poderá fazer. Mas sabe aquela vontade no fundinho, que nem entende ainda o que é? Vá atrás dela, uma hora descobre e vai valer a pena. Não siga um plano pré-estabelecido de como tudo deve acontecer, a vida não sabe ler. 

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